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De paciente para cliente, a pessoa que busca ajuda é cada vez mais tratada como número.

Frasco antigo de farmácia com uma etiqueta de preço amarrada, sobre a mesa.

A saúde, hoje, é vista por muitos como se fosse um produto, tanto por quem a consome quanto por quem a vende.

Para quem oferta o serviço, a escala de valores é invertida: o foco principal vira o lucro, e não de fato a saúde do paciente. Inclusive, muitas vezes, o lucro acontece até às custas dessa saúde. Com o intuito de ganhar mais dinheiro, muitos profissionais empurram tratamentos, remédios, manipulados, serviços que não só são inúteis, mas que podem inclusive fazer mal.

É o que os montes de “mentorias” médicas vendem por aí: explore o paciente ao máximo. Fisgue pessoas com poder aquisitivo maior, explore suas vontades e inseguranças, prometa mundos e cobre caro por essas promessas. Venda medicamentos no consultório (o que é ilegal, de acordo com o Código de Ética Médica), faça implantes hormonais, prescreva manipulados inúteis para serem produzidos pela farmácia que te dá comissão…

Os famosos soros coloridos, por exemplo. O paciente incomoda-se com o cansaço. Automaticamente, temos um soro que cura o cansaço. Ele não funciona e é barato, mas vendemos custando absurdos. Caso a pessoa se oponha, a gente “quebra a objeção” (esse é o termo que eles usam) falando como o cansaço atrapalha sua vida, como ele pode acabar com seu trabalho, com seu relacionamento, explorando as inseguranças de não corresponder às expectativas…

Quem quer ser cuidado é, então, enganado por essa miríade de promessas e de marketing. Isso quando as pessoas não tratam o cuidar da saúde como um símbolo de status. “Ah, eu vou no médico das celebridades”, “passo com a Dra. Famosa de Tal”. Fotos de soros coloridos que custam milhares de reais e não entregam nada. Selfie na clínica chique. Tudo isso com um intuito: diferenciação social.

Pierre Bourdieu fala muito sobre como as preferências individuais refletem a posição que ocupamos ou que desejamos ocupar. Nesse contexto, o consumo da “saúde por status” traz a intenção de elevação social. Todo o resto, a saúde “raiz”, passa a ser vista como “inferior”. Nada que não custe o olho da cara é bom o suficiente.

Em todo esse contexto, a saúde vira um produto a ser vendido, com margem, com marketing agressivo, objetivando lucro. Comprada por quem cai nesse marketing, ou enxerga nesse produto uma forma de valor social.

Será que é esse tipo de “cuidado” que você busca? Porque tenho convicção plena de que não é o que eu quero oferecer.

As informações deste artigo têm caráter educativo e não substituem uma consulta médica individualizada.

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