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Quase todo mundo conhece o cenário: faz uma dieta absurda, perde peso, não consegue seguir, e o peso volta todo. Muita gente atribui isso à falta de força de vontade, mas o buraco é um pouco mais embaixo.

Mesa de cozinha em luz da manhã.

De um ponto de vista evolutivo, nós fomos selecionados ao longo do tempo para acumularmos gordura. Imagina que você vive em uma aldeia, no meio do nada, e você tem 3 meses ao ano de boas colheitas, caça, e depois 6 meses de quase nada.

Adivinha quem vai ter mais chance de sobreviver: você, que acumula gordura, ou o colega que não acumula?

A gordura serve um valor importante de reserva de energia, especialmente em momentos de escassez que, na verdade, foram a regra pela maior parte da nossa história. Nosso corpo não quer perder isso, ele não entende que hoje em dia temos supermercado, iFood etc.

Ele enxerga a perda de peso como ameaça, e luta contra ela. O apetite aumenta, o gasto de energia diminui… tudo se altera para que a gente consiga defender o peso.

Em síntese, o processo é difícil. E se a gente não contabilizar essa dificuldade desde o começo, estamos fadados ao fracasso.

Coloquemos diante disso, agora, o processo usual de quem quer emagrecer rápido. Partimos de vários anos comendo mal, se exercitando pouco, com hábitos que favorecem o ganho de peso para, subitamente, fazer tudo certo.

Do nada, como o objetivo é emagrecer com pressa, temos treinos todos os dias e uma dieta super restrita: zero carbo, zero doce, zero tudo, dieta da uva, da manga, da pera, da maçã, dieta de não sei quem…

Perde peso no começo (com muito músculo junto), porque come menos. Mas o negócio estabiliza rápido porque não é programado, e eventualmente o peso começa a voltar porque o processo, simplesmente, NÃO É SUSTENTÁVEL.

Veja, para que o emagrecimento aconteça, precisamos comer menos energia do que gastamos de forma consistente. Se o processo é tão disfuncional que é impossível ser mantido, já começamos fadados ao fracasso.

O que costuma funcionar melhor

É justamente entender o processo de emagrecimento não como algo com começo, meio e fim, mas sim como toda uma reestruturação dos hábitos e da vida de forma geral para que a gente consiga não só emagrecer, mas fazer isso COM QUALIDADE e ainda manter o resultado ao longo do tempo.

Isso passa, necessariamente, por um cuidado 360 graus. Para traçarmos o melhor caminho, precisamos ajustar muita coisa. Humor, sono, rotina, hábitos de alimentação (nem toda furada de dieta significa a mesma coisa), exames necessários, condições de saúde e, também, a indicação de remédios para emagrecer.

Tudo isso, claro, considerando os valores e preferências da pessoa mais importante nesse momento: você.

A partir disso, conseguimos montar um plano que possa, efetivamente, ser posto em prática e mantido, permitindo uma perda de peso com qualidade, mantendo massa muscular na medida do possível, que traga benefícios (e não malefícios, muitas vezes observo gente que emagrece não pela saúde, mas às custas da própria saúde) e que seja sustentada ao longo do tempo.

Para finalizarmos, aproveito para sugerir, aos interessados, os e-books “Por que você não consegue emagrecer” (este para quem não é da área da saúde) e “Obesidade” (este para quem é), nos quais explicamos mais tecnicamente a respeito do emagrecimento e das evidências subjacentes.

Espero que tenha sido útil.

As informações deste artigo têm caráter educativo e não substituem uma consulta médica individualizada.

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