É bom ficar doente, às vezes.
“Viveis como se fôsseis viver para sempre; nunca vos ocorre a vossa fragilidade”. Sêneca, Sobre a brevidade da vida, em tradução livre.
Ao longo da nossa existência, eventualmente todos nós ficamos doentes. E a forma pela qual passamos por isso é um exercício bastante importante.
Sêneca dizia, conforme a passagem que separei pra você no subtítulo, que vivemos como se fossemos eternos e que nunca nos ocorre a fragilidade. A doença é justamente isso: o escancaramento da nossa fragilidade, na condição humana.
Esse texto surge, inclusive, de reflexões que tive no último dia, quando fiquei doente. Enquanto estava sentado no meu belo trono de porcelana da Deca, me veio à cabeça sobre como, especialmente quando jovens, a gente vive e, às vezes, até abusa da nossa saúde, como se fôssemos tê-la para sempre, como se ela fosse garantida.
A doença, nesse sentido, é um exercício interessante. Óbvio que não estou falando, aqui, de doenças sérias que ameaçam a vida, mas sim daquelas que incomodam o suficiente, mesmo que por pouco tempo, para te fazer pensar.
Pensar em como é bom ter saúde. Pensar se sua vida está de acordo com o que é preciso para se manter com saúde. Pensar, inclusive, em agradecer a saúde. Quase como se fosse um gosto de como seria perder algo que a gente tanto preza, para lembrar de valorizar mais.
Sêneca falava, também, que a gente precisa viver a vida toda para aprender, de fato, a viver. Talvez uma das únicas partes “boas” de ficar doente seja, justamente, chegar um pouco mais perto disso.
E sabe o que é mais interessante? Você não precisa, necessariamente, ficar doente para pensar a respeito dessas coisas.
Essa carta foi escrita, inclusive, com esse objetivo.